quarta-feira, 1 de setembro de 2010

JÁ! Emergências Contemporâneas será lançado sexta, 03, na Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém


Orlando Maneschy e Ana Paula Felicíssimo convidam você para o lançamento do livro JÁ!Emergências Contemporâneas nesta sexta-feira, 03, às 18h, no Estande da Editora da Universidade Federal do Pará, na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro, no Hangar - Centro de Convenções da Amazônia, Belém, Pará.

terça-feira, 17 de agosto de 2010


















Carta do farol do fim do mundo


Este texto seria um segredo. Segredo do tipo que você guarda perto do coração, traz no corpo, pensamento, entranhas. Prometi não ser emocional, não falar de vinculações, relacionamentos, sentimentos.

Há um tempo que só pode ser contabilizado internamente e que marca a impregnação daquilo que nos cinde a alma. E são essas as coisas que nos trouxeram aqui, neste momento, em que tantas memórias foram acionadas, neste projeto mínimo, múltiplo e incomum.

Conflitos, medo, dor, paixão, saudade. Sentimentos variados se fazem presentes, entre palavras e desenhos em que diminutos personagens exalam solidão, que por vezes se manifesta em objetos colecionados, vestígios de uma existência. Muitas obras de Keyla Sobral materializam a presença de uma ausência. E neste projeto é a resiliência que vem movendo a artista a organizar poeticamente as dificuldades das relações no mundo contemporâneo.

Impossível manter uma distância segura desses desenhos para constituir um juízo isento. Não pretendo. Assumo o risco e me coloco ao lado de Keyla, que escancara o coração e deixa à mostra - em desenhos pungentes, impregnados de lirismo e de uma essencialidade quase violenta -, sua sensibilidade diante do incomensurável que é a vida.

Só posso dizer que me junto a ela em tantos momentos de altos e baixos que constituem aquilo que nos confere humanidade, pois somos humanos, demasiadamente, humanos.

PS: Não consegui cumprir minha promessa.

Orlando Maneschy
curador do projeto

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mínimo, múltiplo, incomum





Keyla Sobral faz exposição individual.

Desenhos feito palavras, palavras escritas feito desenho. É assim que se faz a exposição individual “Mínimo. Múltiplo. Incomum”, da artista visual Keyla Sobral, que abre hoje, 17 de agosto, no Museu da UFPA, às 19:00h. E já que “a arte é um modo de reunir afetos”, como diriam Gilles Deleuze e Félix Guatari, Keyla reúne em seus quase trinta desenhos - traçados em nanquim, pastel e tinta -, seus afetos, histórias e muita verdade poética.

Segundo Keyla o desenho é uma constante em seu percurso artístico, “sempre desenhei, mesmo quando trabalho desenvolvendo outros processos artísticos, como web art, o desenho faz parte do processo”. De linhas extremamente sutis, o desenho de Keyla Sobral pode ser comparado tanto com artistas, tanto com poetas, trabalhos onde a formalidade da escrita se dilui quando encontra a linha.

“Keyla expõe, em desenhos delicados e pungentes, sentimentos profundos. Este trabalho traz a tona uma desenhista visceral e sensível que fala das dificuldades de adaptação a velocidade da vida contemporânea, das pequenas alegrias, da solidão, da saudade. Tem a coragem de revelar aquilo que lhe toca.” Afirma o curador da mostra Orlando Maneschy. Para ele, o público irá se identificar com a mostra, pois ela revela “formas de viver, sobreviver as pequenas violências do cotidiano, bem como emoções fortes, como o amor”, complementa.

Para esta exposição a artista diz “faço uma espécie de percurso intimista, revelador,onde trafego entre meus sentimentos e os materializo”. Keyla Sobral iniciou sua carreira artística em 2002, e já participou de exposições no Pará, São Paulo e Alemanha. Também possui vários prêmios em seu currículo, como Menção Honrosa XI Mostra de Arte Primeiros Passos do CCBEU (2003), 2º Grande Prêmio do Salão Arte Pará - 2005; Prêmio Aquisição XI Salão Pequenos Formatos UNAMA (2005), além de ter sido Mapeada pelo projeto RUMOS ITAÚ CULTURAL(2005/2006).

SERVIÇO:

MÍNIMO.MÚLTIPLO.INCOMUM.

Exposição de Keyla Sobral
abertura: 17 de agosto
hora: 19hs
período da exposição: De 17 de agosto a 30 de setembro
Local: Museu da Ufpa
Endereço: Av. José Malcher, 1192 – Nazaré.
Telefone: 32240871

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Estrada Nova S/N e Mais Rapidamente para o Paraíso

Estrada Nova S/N
EXPOSIÇÃO DE LUIZ BRAGA
até 12 de setembro no Espaço Cultural da Porto Seguro
Av. Rio Branco 1489 - São Paulo - SP
de terça a domingo, de 10 às 17h.
fone: 11- 33375880



Mais Rapidamente para o Paraíso
EXPOSIÇÃO DE LUCIANA MAGNO
até 10 de setembro na Sala Gratuliano Bibas - Casa das 11 Janelas
Pça Frei Caetano Brandão S/N - Belém - PA
de terça a domingo das 10 às 16h.
fone: 91 - 40099925

terça-feira, 6 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Amazônia Contemporânea no Museu da Vale





A Amazônia ainda é um mistério. O inferno verde vem suscitando as mais variadas fantasias desde o início de seu desbravamento, a partir do encontro de Francisco Orellana com as guerreiras indígenas icamiabas, em um fluxo contínuo engendrado por seus diversos ciclos migratórios.
Inúmeros e inconstantes processos de integração aconteceram sobre a região de dimensões espetaculares e isolada dentro de si mesma e do país, a despeito da busca de conexão rodoviária que se estabeleceu a partir da segunda metade do século passado. Ainda assim, o continente amazônico é um território repleto de experiências ímpares, embora pouco conhecidas do resto do Brasil.
Suas cidades, em especial as capitais Manaus e Belém, encravadas na floresta, mantiveram estreita conexão com a Europa, o que garantiu a circulação de bens culturais que, somados à vivência do habitante do lugar, constituíram procedimentos de mestiçagem cultural, que se desenharam entre o contato com o continente europeu e falta de integração nacional.
Diante desse contexto de isolamentos e fluxos, as singularidades de viver a região manifestam-se de forma particular na experiência estética dos artistas que habitam a Amazônia e operam em sistemas paralelos de arte, que ora os colocam também em proximidade com o resto do mundo, ora os mantém desvinculados do trânsito operado no centro-sul do país, gerando, por vezes, uma instabilidade na produção, tanto artística, quanto de projetos institucionais para a arte.
Esta situação de fragilidade e inconstância é reflexo das políticas que se inscreveram na região ao longo de sua história, mas que, por outro lado, propiciaram uma produção artística menos comprometida com apelos do mercado e mais concentrada nas relações com seu lugar de pertencimento, sua luminosidade, suas peculiaridades sócio-culturais, fazendo com que artistas, tanto de forma coletiva, quanto individual, realizassem proposições densas, de grande potência, como as que se vê na mostra que se revela aqui, em Amazônia, a arte.
Neste conjunto veremos artistas que vêm articulando proposições distintas. Convidamos o observador a adentrar com passos lentos, olhar com calma, como faz o nativo ao penetrar a floresta densa, e entender a luminosidade e riqueza cromática; perceber como as especificidades locais se apresentam em relação aos temas globais; compreender como as políticas são acionadas em suas micro ou macro questões.
Em Amazônia, a arte vê-se um fragmento da produção contemporânea de rara densidade, visceral, autêntica que se inscreve em um território peculiar e ainda pouco conhecido. Longe de querer lançar uma visão totalizante, a exposição aponta para a necessidade de se conhecer mais, a região e o próprio país, e entender que aquilo que nos é estranho pode ser a chave para a compreensão quem somos.






















Com os artistas:
Acácio Sobral, Alberto Bitar, Alexandre Sequeira, Armando Queiroz, Armando Sobral, Berna Reale, Cildo Meireles, Coletivo Madeirista (Joesér Alvarez, de Ariana Boaventura e Rinaldo Santos), Cláudia Andujar, Cláudia Leão/ Leonardo Pinto, Dirceu Maués, Éder Oliveira, Edilena Florenzano, Elza Lima, Emmanuel Nassar, Grupo Urucum, Helio Melo, Katie van Scherpenberg, Lise Lobato, Luiz Braga, Marcone Moreira, Maria Christina, Melissa Barbery, Miguel Chikaoka, Naia Arruda, Orlando Nakeuxima Manihipi-Theri, Otávio Cardoso, Patrick Pardini, Paula Sampaio, Roberto Evangelista, Thiago Martins de Melo e Walda Marques .



Idealização e Consultoria: Paulo Herkenhoff. Produção: Maria Clara Rodrigues (Imago Escritório de Arte). Curadoria: Orlando Maneschy. Realização: Museu Vale